Krsna Kirtana Songs est. 2001 www.kksongs.org
Lição 1:
História e Introdução ao Khol
INTRODUÇÃO
Um dos sons mais venerados, desfrutados e antigos
que representa uma das facetas da espiritualidade da Índia e da cultura
oriental indiana é o tambor mridanga. O tambor mridanga teve seu advento
aproximadamente há quinhentos anos atrás por volta de meados de 1400 quando o
Senhor Caitanya Mahaprabhu apareceu na Terra. É dito que a mridanga é a flauta
do Senhor Krsna encarnada, que é também uma expansão do Senhor Balarama na
terra. Quando o Senhor Krsna estava planejando Seu avatara como Senhor
Caitanya, Sua flauta queria acompanhá-Lo. O Senhor Krsna disse que a flauta não
seria um meio prático de levar as vibrações espirituais. Daí, a mridanga veio a
existir como um tambor que é bem alto e cômodo de tocar. Desde então, a música
Bengali e os kirtans Gudiya Vaisnavas têm sido abençoados com este avatar da
flauta de Sri Krsna.
A palavra mridanga
vem da palavra “mrit” e “anga” que significam “barro” e “corpo”,
respectivamente. Como se pode deduzir da definição literal, a mridanga original
foi feita de barro. Através do tempo, o termo “mridanga” tem sido usado para
descrever qualquer tambor de duas peles. Agora, mridanga igualmente refere-se a
este tambor ou ao tambor sul-indiano. Daí porque, músicos referem-se ao tambor
como khol. Khol literalmente
significa “som aberto”. Tem havido várias canções devocionais onde o tambor
mridanga tem sido apropriadamente identificado com a palavra khol. Por isso, as
palavras mridanga e khol são intercambiáveis.
TIPOS DE KHOLS
O principal tipo de khol é o original khol de barro, o qual tem um corpo
feito de barro terracota. A Figura 1.1 é um tambor mridanga que tem o barro
terracotta como seu corpo preso com tiras de couro conectando as duas peles. As
peles são feitas de couro de cabras ou vacas que tenham morrido naturalmente.
Figura 1.1 Khol de barro
Através dos tempos, outros materiais tais como fibra de vidro e metal, têm sido usados como corpos para khols. As Figuras 1.2 e 1.3
mostram os khols de fibra de vidro e metal respectivamente. Com a única
diferença sendo o corpo, o formato delas é virtualmente o mesmo. O modelo de
fibra de vidro com peles é mais popular do que o modelo de metal, devido à de
fibra de vidro ter um som superior. A de barro, entretanto, produzirá um som
superior às três.
Figura 1.2 (khol de Fibra de
Vidro)
Figura 1.3 (khol de Metal)
Desde que Srila Prabhupada, fundador e acarya da
ISKCON, veio para os Estados Unidos para pregar a mensagem da Consciência de
Krsna, alguns problemas surgiram. O primeiro problema eram os templos recebendo
mridangas com muito atraso, devido a problemas de envio. Também, muitos templos
receberam mridangas sem a presença de Srila Prabhupada. Devido à falta de
conhecimento sobre os cuidados apropriados, muitos devotos pegaram uma mridanga
de barro para um kirtan externo e voltaram com o tambor quebrado. Para se
adaptar ao fato de ter mridangas enviadas para templos novos e substituir
mridangas gastas, Srila Prabhupada pediu a seu discípulo Isan Dasa para
inventar um novo tipo de mridanga.
No final dos anos de 1960, Isan Dasa elaborou uma
mridanga que permite a produção em massa. O corpo é feito de uma fibra de vidro
mais grossa, com peles feitas de plástico. Diferentemente dos modelos de couro,
cada uma das peles permite um mecanismo de afinação independente por meio de
uma chave Allan. Isto permite uma troca rápida de peles se algum dano estivesse
por ocorrer. Além do que, elas eram bem altas, um fato que Srila Prabhupada
gostou sobre este modelo. Finalmente, o maior bônus com este novo protótipo, é
sua durabilidade. Sob uso normal, este tambor deve durar quase uma vida. Esta
invenção é conhecida como a mridanga
Balarama. A Figura 1.4 mostra uma mridanga Balarama.
Figura 1.4 (mridanga
Balarama)
Uma vez que as peles não são feitas de couro
natural, elas não soam tão autênticas quanto os originais khols de barro.
Entretanto, elas têm um som muito aproximado que funciona mais para kirtans.
PARTES DE UMA PELE DE KHOL

Figura 1.5 (Partes da pele do khol classificadas)
As partes mais importantes do khol são as peles de
onde o som emana quando golpeadas. A palavra para a pele de um tambor é puri. Por isso, uma pele de khol é
chamada um puri de khol. Há quatro
partes importantes do puri do khol que devem ser discutidas. As quatro partes
são gajara, kinar, maidan, e syahi.
O gajara é
o aro externo que é uma trança de couro. Nela é onde as tiras de afinação estão
passando entremeadas. De todo o puri, o gajara não é tocado.
A próxima camada de dentro é o kinar ou a “borda”. Este é a primeira camada da pele que é tocável.
Outra função menos conhecida do kinar é filtrar e controlar os sons. Isso nos
permitirá tocar certos sons no futuro.
A camada aberta da pele é chamada o maidan ou “meio-campo”. Esta é a seção
entre o kinar e o syahi.
O syahi,
também conhecido como o ank ou gob, é o círculo preto no meio do puri. Ele é feito de pudim de arroz,
ferro, trigo e um extrato vegetal desconhecido. O syahi proporciona redução da
altura do som, controle de som e o som singular que o os khols produzem. Sem
este syahi, o tambor soaria como um bongo com sons incontrolados. Nos melhores
khols, este material é feito de ferro (cor preta). Nos khols de qualidade média
ou inferior, ele é feito usando argila ou barro (cor marron). Se o syahi
estiver extinto ou for um syahi marron, não seria sábio comprá-lo.
OUTRAS PARTES DO KHOL:

O anga é
o corpo do instrumento.
As tasma
são as tiras que são entrelaçadas nos modelos tradicionais de khol. Elas são
tiras de afinação, NÃO são as tiras que você põe ao seu redor. As tasma só
serão encontradas nos modelos de pele. O tambor Balarama não terá a tasma, pois
tem seu próprio mecanismo de afinação.
A pele menor é conhecida como o dayan. A pele grave maior é conhecida como o baya. Literalmente, os termos “dayan” e “baya” significam “direita”
e “esquerda” respectivamente. Se sua mão direita é mais forte (i.e. você
escreve com sua mão direita), então você deve posicionar seu dayan no seu lado
direito. Se sua mão esquerda é mais forte, então seu baya deve ficar com sua
mão esquerda. Bastante interessante é o fato de que para tocadores canhotos, a
pele menor é ainda assim referida como o dayan e a pele grave maior é ainda
assim conhecida como o baya, ainda que sua tradução literal conflitue com a
orientação.
POSTURA:
Há três formas onde as mridangas são posicionadas
com respeito ao tocador. As três serão discutidas brevemente abaixo.
1. Tradicional: Sentado, com o tambor à frente assentado
em uma almofada especializada, tal como a almofada da tabla. Este estilo
raramente é visto hoje em dia.
2. Colo: Esta é a posição sendada mais comum.
Senta-se no chão com a mridanga no colo. Coloca-se a alça passando por sobre a
cabeça e ao redor do corpo até que esta toque o chão, ou onde quer que a alça
possa ter um contato final com o corpo. Se o tambor for sentido muito próximo
ou se está muito longe de você, então você pode ter que reajustar o tamanho da
alça na mridanga. Se ela estiver levemente longe, então você pode simplesmente
rolá-la em sua direção.
3. Em Pé: Esta é uma outra posição importante, pois
muitas pessoas que tocam mridanga a usarão em kirtans. Depois de levantar-se,
deve-se posicionar a mridanga por sobre a cabeça para que a alça toque no
pescoço. Então você terá a mão que toca o baya passando sobre a alça, enquanto a mão que toca o dayan permanece por baixo.
CUIDADOS E MANUTENÇÃO:
Seja pela quantia de dinheiro que foi despendida no
tambor, ou pela necessidade de um bom tambor para praticar ou mesmo o fator
espiritual de ser uma encarnação da flauta de Krsna, qualquer razão dará
suficientes motivos para tomar cuidado do tambor dos outros. As mrdangas de
peles de couro, particularmente o khol de barro, sofrerão muitas mudanças
devido ao fato de que o couro natural se contrairá e se expandirá de acordo com
as mudanças de níveis de calor e humidade. Além disto, com o khol de barro, o
corpo de barro não é realmente durável. Ela pode quebrar-se se usada
inapropriadamente, sejam as peles ou o corpo. Tendo dito isto, aqui seguem três
regras simples para assegurar uma duração de vida ótima de seu tambor.
1. Não deixe o khol em
temperaturas extremas!
Os Khols reagem como humanos! Se você o deixa num aposeto frio ou muito quente,
ele ficará doente. Deixá-lo em um aposento frio pode fazer as peles ficarem
frouxas. Se você colocá-lo em um aposento muito quente cheio de umidade, isto
infiltrará nas peles ou as rachará. Eu não tenho visto ou ouvido falar de
nenhum conserto de khol nos EUA. Tenha isto em mente.
2. Para todos os khols com
peles de couro, ponha capas para pele. Capas para peles são o melhor modo de prevenir as
mudanças de clima nas peles. A maioria dos khols novos vendidos virão com capas
para pele. Se você não tem capas para pele, por favor visite www.mid-east.com, e compre almofadas para
pele de tabla.
3. Para khols de pele de
couro, não coloque a face do baya pra baixo. A pressão
causará decréscimo na afinação e ficará achatada. E mais, isso pode
potencialmente danificar a pele. Ao invés disso, deixe o khol deitado
lateralmente em uma superfície bem acochoada ou compre capas para pele e
certifique-se de que a capa seja o suporte para o baya e não o chão.
4. Compartilhando a
Mridanga – Finalmente,
por experiência, eu vi isto acontecer muitas vezes, e devo fazer uma observação
sobre isso aqui. Se você tem uma boa mridanga, a menos que você conheça alguém
que possa tocar bem e manejá-la apropriadamente, não compartilhe sua mridanga
cegamente. Isto pode soar um pouco mesquinho, mas há uma razão para isto. Na
grande maioria dos casos onde, devido à brutalidade (e, por vezes, à
competitividade) ao tocar, eu vi peles estouradas como também outros defeitos
no syahi ou mesmo no anga do tambor. A Mridanga deve ser um tambor melodioso
que pode ser eficazmente usado para kirtans. Se você quer bater com força, alto
e perfeitamente, pegue uma mridanga Balarama e faça exatamente isto. Não bata
com força excessivamente em nenhum dos modelos de pele de couro, especialmente
se este modelo de pele de couro não for seu.