Krsna Kirtana Songs est. 2001                                                                                                                                                      www.kksongs.org


Lição 6: Introdução ao Tala

 

Despois de terminada a discussão sobre os bols, nós adentraremos em um novo território de aplicação dos bols para algo mais significativo. Na música indiana, é dito que há três pilares sobre os quais a música está sustentada. Os três pilares são raga, sur, e tala. O raga é considerado o modo melódico, no sentido mais simples. O estudo da melodia através dos ragas é um assunto muito extenso. Nós não encontraremos muito uso do raga ao estudar o khol. Entretanto, há uma página no KKSongs chamada Ragamala que lhe ajudará a estudar os ragas. O próximo modo, sur, é o bordão ou o foco nas notas mais importantes como também na nota raíz. Isto se aplica notavelmente a músicos, embora tamborileiros clássicos afinem suas peles para estarem em sincronia com as notas. Pela natureza elementar deste curso, o sur não importará muito. Entretanto, o terceiro pilar, o tala, será de grande relevância.

 

O tala (literamente “palmas”) é a fundação rítmica da música. Sem o tala, os outros dois modos não podem subsistir independentemente em grande parte. Quando falarmos de talas, estaremos falando sobre ciclos rítmicos. Como nós iremos aprender os ciclos rítmicos nas próximas lições, seria de grande utilidade entender a estrutura dos talas. Este capítulo é dedicado a apenas isto: a ciência do tala.

 

DIAGRAMA DO TALA

 

O tala pode ser examinado com um diagrama de tala, mostrado abaixo. O diagrama consiste de um círculo branco dividido em quatro quadrantes. Este ciclo mostrado abaixo representa um ciclo de dezesseis batidas ou dezesseis matras. A matra é a unidade fundamental de medida de tempo. Depende-se de quão rápido ou lento se toca um ciclo específico para se identificar a extensão de uma matra. Os músicos usam a palavra matra e batida sinonimamente. O número de matras será uma de muitas propriedades para se definir o que um tala é.

 

Nesta figura abaixo: dezesseis matras equivalem um ciclo.

 

 

 

 

 

A primeira matra em qualquer ciclo é conhecida como a sam. A sam, ou matra 1, é representada por um “X”.

 

No diagrama do círculo, como mostrado acima, o círculo está dividido em quatro quadrantes. Cada quadrante é chamado um vibhag. Isto esta baseado puramente na fluência no tala. O fato mais importante a se levar em consideração é que o número de matras por vibhag não tem que ser igual. Claro que, 4+4+4+4 (o qual é mostrado acima) é a condição mais ideal de simetria, mas outros talas de dezesseis matras podem consistir de 5+3+4+4, o qual não é simétrico, mas de fato são quatro números os quais adicionam-se aos dezesseiss.

 

ÊNFASE NAS MATRAS

 

Os talas não são ritmos secos. A própria natureza dos vibhags dividindo um ritmo permite pontos de ênfase e deênfase. O tali representa os pontos de ênfase. O khali representa o ponto de deênfase. O tali é geralmente indicado por um baya aberto, enquanto o khali é representado pelo som continuado de um bol aberto do baya previamente tocado, um baya fechado ou o não uso absoluto do baya. Na maioria das situações, espera-se que o sam receba um tali.

 

No diagrama do tala, com exceção do sam, o tali é representado por números. Uma vez que o sam é o primeiro tali, representado por um X devido a sua posição de ser um sam, o próximo tali, mostrado na matra 5, recebe um numero 2, pois este é o segundo tali. O terceiro tali é mostrado por um 3 na matra 13. Portanto, este ciclo tem três talis, isto é, no sam, na matra 5 e na matra 13.

 

O único khali neste ciclo é a matra 9. Todos os khalis, a despeito de quantos números de khalis existam, recebem um 0 (zero). Se este ciclo tivesse dois khalis, ambos os khalis receberiam zeros.

 

Portanto, resumindo o ciclo deste tala de dezesseis matras, ele tem três talis, no sam, na matra 5 e na matra 13, enquanto ele tem um khali na matra 9. Pode-se ver claramente que as distâncias entre o sam e a matra 5, entre a matra 5 e a matra 9, entre a matra 9 e a matra 13 e entre a matra 13 e o novo sam, são todas equidistantes. Todos eles são quatro matras à parte. Portanto, compreende-se melhor que este é um ciclo dividido de 4+4+4+4.

 

COMPLETANDO O CICLO

 

Um ciclo completo é efetuado quando se começa do sam e faz-se um círculo de 360 graus voltando para o sam. Um ciclo completo é conhecido como um avartan. Teoricamente falando, neste tala de dezesseis matras a “décima sétima matra” seria o sam do novo ciclo.

 

ESTRUTURA DO TALA

 

Para se descrever a estrutura do tala, pode-se dizer o seguinte. Há quatro vibhags divididos 4+4+4+4 (4+4+4+4=16). Este tala tem talis no sam, na matra 5, e na matra 13 com o khali na matra 9.

 

Agora, olhando para trás, no diagrama do tala, sabendo quais termos são usados, temos o anel exterior com os números 1, 5, 9, e 13 representando números de matras. O grande X, 2, 0, e 3 representando os números do tala.

 

PALMEANDO E ONDEANDO

 

Ao descrever oralmente um ritmo sem tocá-lo no khol, um sistema convencional de bater palmas e fazer ondas foi desenvolvido. Para descrever um tali, se palmeia. Para descrever um khali, se ondeia. Para descrever uma matra que não é um tali nem um khali, conta-se usando um dedo ou não se faz nada, absolutamente, para representá-los.

 

Se fosse para alguém recitar oralmente o diagrama acima, diria-se e faria-se o seguinte:

 

(1)PALMA 2, 3, 4, (1)PALMA 2, 3, 4, (1)ONDA 2, 3, 4, (1)PALMA 2, 3, 4

 

IDENTIFICAÇÃO DO TALA

 

Finalmente, em conjunção com a estrutura do tala, os talas na música norte-indiana são definidos pelo theka. O theka é a disposição dos bols de como o tala é tocado no instrumento rítmico. O theka é o modo mais padrão e mais simples de tocar o tala. Com apenas o theka, se sabe a estrutura do vibhag, o número de matras e quais os bols a tocar. Neste curso, nós focaremos mais a atenção em tocar os thekas.

 

Um modo baseado no theka é chamado um prakar. A maioria das pessoas tocam prakars, os thekas são muito simples para se tocar. Tocar e criar os prakars desenvolve-se depois que se fica confortável com o instrumento e com os thekas.

 

Tendo mencionado tudo sobre isto, nós podemos seguir para nosso primeiro ritmo que está na Lição 7.